Uma semana depois de perder na
Justiça do Trabalho os direitos federativos do lateral-direito
Cicinho, ontem, da mesma forma, o Clube do Remo perdeu mais um
jogador oriundo das divisões de base. Em caso muito semelhante, o
zagueiro da Silva não teve direito a tudo o que pleiteava na
Justiça, cerca de R$ 700 mil, mas conseguiu a liberação e mais R$
23 mil, divididos em oito parcelas.
Para o Remo foi uma derrota
menor, já que de fato não havia recolhimento de FGTS (Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço) e fazia quatro meses que o salário
do atleta não era pago. Mas, não deixa de ser uma vitória que deixa
um sabor amargo.
Da Silva tem 19 anos e foi a
principal revelação do clube este ano. Pode ser que não viesse a
dar a resposta que se espera dele, mas só o futuro poderá
dizer.
Para os próximos dias, o
departamento jurídico do clube azulino continuará com a agenda
cheia. O zagueiro Charles, o atacante Garrinchinha, o volante
Marlon, o preparador de goleiros Afonso Almeida e o preparador
físico Maurício Matos, todos ex-Remo, já protocolaram reclamações
da Justiça do Trabalho. Todos com passagens este ano pelo Evandro
Almeida. Comenta-se, no Baenão, que o zagueiro Rodrigo e o volante
Diego Maciel, ambos também vindos da base, tomarão o mesmo
caminho.
Amanhã e quarta-feira haverá o
leilão de praça do terreno do Carrossel, anexo ao Baenão. No dia
12, o caso é referente ao goleiro Régis e no dia 13 para o volante
Fabiano Silva. Para muita gente no Evandro Almeida é dado como
certo que o clube perca o terreno. Se isso vier a acontecer, os
dois maiores rivais da capital paraense deixarão de ser vizinhos da
Avenida Almirante Barroso.
Nos últimos meses os leilões,
que sempre eram revertidos posteriormente, passaram a ser encarados
com maior temor depois que a sede campestre foi vendida e o caso
não pôde ser revertido até agora.
Um dos que mais lamentam a
situação é o treinador Carlinhos Dorneles. Responsável direto pela
revelação de grande parte dos jogadores do clube, por ser o
coordenador das divisões de base, o atual técnico do elenco
profissional comentou que uma das saídas nesse momento passa pela
renúncia do presidente Raimundo Ribeiro.
'Fico muito triste porque é um
trabalho desperdiçado. São valores que são revelados e não
aproveitados. A maioria ainda tem idade de sub-20 e nem deveria
estar no elenco principal por não estar totalmente preparada',
disse.'Nenhuma administração deu muita atenção à base, mas essa tem
sido a pior. Nesse momento seria interessante a renúncia do
presidente. Sempre que há uma mudança de administração há uma
expectativa de trabalho melhor', completou
Dorneles.
Conselho se reúne na
segunda-feira
Depois de praticamente acertarem
que este ano não haveria mais reunião do Conselho Deliberativo, o
presidente da casa, Pedro Lima, voltou atrás e acabou confirmando
ontem que na próxima segunda-feira, dia 17, o Condel se encontrará
novamente.
A reunião da semana que vem terá um
único propósito: fazer uma eleição para preencher as doze vagas em
aberto para a Benemerência.
Essa eleição tem um grande e
principal interessado que é o empresário Carlos Rebelo, que quer, e
provavelmente conseguirá, que alguns nomes assumam o posto.
Uma das condições que Rebelo impôs
para concorrer à presidência do clube, o que muita gente do Remo
quer, é justamente a da reformulação do Condel, com uma diminuição
considerável dos conselheiros e a eleição de novos Beneméritos.
A eleição para o Conselho Diretivo
está marcada para ainda este ano, no primeiro dia de dezembro.
Por enquanto, oficialmente, não há
nenhum candidato inscrito.
Orlando Frade, Amaro Klautau, Pedro
Minowa e Benedito Sá, que lançaram cada um uma chapa, terão que se
reinscrever porque as anteriores foram consideradas nulas pelo
Conselho após a impugnação da eleição anterior, que nem chegou a
ser realizada devido o recurso judicial de um torcedor que apontou
as incoerências da primeira tentativa de pleito.
Saída de Sérgio Papellin é oficial.
Ainda hoje ele deixa Belém.
Considerado por muita gente como
uma das principais contratações do Remo esse ano, Sérgio Papellin
deve deixar Belém hoje à tarde e não é mais o coordenador de
futebol do clube. Pela manhã, ele entregou um relatório ao
presidente Raimundo Ribeiro. No documento, apontou alguns pontos
dos meses de trabalho no Baenão e deixou sugestões do que pode ser
feito para a próxima temporada. Assim como o restante dos
funcionários e jogadores, Papellin também tem uma soma considerável
por receber em salários atrasados.
'Deixei algumas sugestões. Esse
clube tem que ser muito bem tratado porque o ano que vem será
importantíssimo. É imprescindível que o Remo participe do
Campeonato Brasileiro. Se ficar sem calendário já em maio será o
primeiro passo para fechar as portas do futebol', comentou
Papellin. Em 2009, o Leão Azul tem garantido o Campeonato Paraense
e a Copa do Brasil. Para disputar a Série D terá que ficar à frente
de Águia e Paysandu no Parazão.
Ao mesmo tempo em que afirmou ter
gostado da experiência de ter trabalhado no futebol paraense,
Papellin deixou claro que espera receber os salários atrasados a
que tem direito. Apesar de garantir que não quer ter que recorrer à
Justiça para ter seus direitos garantidos, ele deixou claro que se
for essa a última opção ele não se furtará a procurar os tribunais.
'Espero que o acertado seja cumprido. Fiquei muito feliz e honrado
com minha passagem por Belém e pelo Clube do Remo', disse. 'Não
quero ter que brigar na Justiça, mas quem trabalha quer e tem que
receber', completou Papellin.
As especulações dão conta de que
Papellin teria um mínimo de R$ 40 mil para receber do Remo.
Extra-oficialmente ele garante que é mais do que o dobro disso, mas
que no acerto que teve com Ribeiro essa quantia foi diminuída em
pelo menos a metade.
Amigo do técnico e diretor de
futebol do Águia, João Galvão, Papellin não comenta sobre um
suposto interesse do clube marabaense em tê-lo ano que vem. Entre
as lamentações ele ressalta a ponta de 'inveja' com a campanha do
Azulão, que ainda está na briga por uma das três vagas abertas para
a Série B. 'Aprendi a gostar de Belém, do povo e dos torcedores em
geral. Infelizmente, não cumprimos nossa meta que era levar o Remo
bem mais longe, mas os problemas financeiros nos impediram disso.
Queria que hoje o Remo estivesse na mesma situação do Águia'.
(Fonte: Jornal
Amazônia-pa)
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