VALE O INVESTIMENTO? Castanhal e Vila Rica/Cametá gastam o que têm e o que não têm para seduzir jogadores rodados e que fizeram história nos grandes clubes
Na esperança de conquistar
o título estadual, equipes como Castanhal e Vila
Rica/Cametá apostam na força de verdadeiras
“máquinas” montadas com peças da mais
fina e local sucata. Mas não são só estes os
clubes que apostam na mistura de jogadores experientes com novos
valores. Tuna e Ananindeua sabem que o investimento em atletas
reconhecidos no futebol paraense é importante tanto para
atrair o público, saudoso dos bons tempos vividos por
aqueles jogadores nos dois grandes clubes do Pará, quanto
para a criação de pontos de referência dentro
de campo.
Enquanto isso, as torcidas de Remo e Paysandu se espantam com a
ousadia dessas equipes “emergentes”, que pretendem, a
todo preço, vencer o Campeonato Paraense. Em Castanhal,
Jóbson, Rogerinho, Helinho e Gian prometem ser os
diferenciais do Japiim no Estadual. Em Cametá,
Rogério Belém é uma das grandes apostas. O
custo, entretanto, pode pesar nas costas destes times, já
que estes jogadores, apesar dos grandes momentos que evocam os seus
passados, não são garantias de boas
atuações.
NA CASCA
DO ALHO
Japiim aposta em “trintões”
Das nove
contratações efetivadas pelo Castanhal desde o fim da
primeira fase do Parazão 2008, três prometem tornar-se
referências da equipe titular pela experiência
acumulada no futebol paraense: Gian, 32, Jóbson, 33, e
Rogerinho, com 39 anos.
A “rodagem”, para o presidente do Japiim, Gil
Corrêa, pode compensar futura falta de condicionamento
físico para atuar pelo Japiim. Jóbson e Gian, que
já haviam se integrado à delegação que
foi fazer a pré-temporada em Salinópolis (a cerca de
220 km de Belém), na segunda-feira passada, não
participaram do amistoso com o selecionado local, vencido por 3 a 0
pelo Castanhal.
Segundo Corrêa, estes jogadores estão adquirindo
preparo físico em um “trabalho diferenciado”
para estar aptos a participar do amistoso contra o Remo, no
próximo dia 28. E Rogerinho, que assinou ontem o contrato
com o Castanhal, ainda não se juntou à
delegação que está em Salinópolis e que
deve realizar amistoso contra o Palmeiras, time amador daquele
município, até o fim desta semana, antes do jogo
contra o Leão Azul. Outro jogador que ainda transita na
memória coletiva é o meia Edil, 41, que assinou com o
Castanhal ainda na fase anterior do Estadual. Helinho, atacante que
jogou no Remo e Tuna, é outra figura carimbada do
Japiim.
TEM
MAIS - Mas não é só em nome que o
Japiim aposta. A equipe também é reforçada por
valores desconhecidos do torcedor paraense, como o zagueiro
Caçapa, que estava no Caxias (SC), o goleiro Régis e
o zagueiro Haroldo, vindos do Ríver (PI), o atacante Amaral
e o lateral-esquerdo Marquinhos, emprestados pelo local Bragantino.
Além do volante Dênis, que jogava pela
Seleção de Xinguara, e do goleiro Canu, parado antes
de integrar o grupo castanhalense.
O presidente do clube não quis divulgar o valor da atual
folha castanhalense. Na primeira fase do Estadual, o Japiim
investiu R$ 36 mil em um elenco que não tinha
“estrelas” do porte de Gian ou Jóbson e que,
entretanto, garantiu a classificação do aurinegro
à fase principal.
BALA NA
AGULHA
Vila ainda quer Maico Gaúcho
Juntando
peças produzidas em diferentes gerações do
futebol paraense, o Vila Rica/Cametá foi um “monstro
de sucata” tanto no torneio seletivo quanto na fase
preliminar do Campeonato Paraense. Apesar de perder
referências como o meia Flamel, que retornou ao Ananindeua
– com o qual tem contrato -, e o atacante Landu, que foi para
o Itumbiara (GO), a “experimental” equipe do
técnico Fran Costa está se munindo de reforços
de vários cantos do país para a disputa da fase
principal do Estadual.
Entre eles está o meia Rogério Belém, 33 anos,
que começou sua carreira como revelação do
Remo em 1996, quando foi campeão estadual, se transferindo
em seguida para o Grêmio (RS), passando pelo São Paulo
(SP) e indo para o Ankara, da Turquia, onde ficou por três
anos. Outro ex-azulino que chega à equipe é o
zagueiro Magrão, que participou da Série B do
Campeonato Brasileiro-2007 pelo Remo, do qual foi para o
Tiradentes. A equipe ainda estuda a contratação do
meio-campista Maico Gaúcho, outro que fez sucesso jogando
pelo Leão.
Flamel, de 24 anos, foi principal jogador da equipe na primeira
fase do Parazão, tendo marcado sete dos 17 gols do Vila na
competição. Para o azar do Cachorro Doido, o meia foi
obrigado a retornar para o Ananindeua, clube que o emprestou para a
equipe de Cametá ainda para a disputa do torneio
seletivo.
Já Landu, de 29 anos, foi a contratação de
peso do Vila na fase preliminar. Ídolo remista, o matador
chegou à equipe de Cametá por intermédio de um
empresário que, inclusive, ficou responsável pelo
pagamento da sua remuneração e moradia, com valores
não divulgados, mas que, de acordo com o diretor Orlando
Peixoto, não poderiam ser custeados pelo clube.
SEM
GRANA
Sucatão não cola no Souza
Uma equipe jovem,
com poucos jogadores na casa dos 30 anos e uma folha de pagamento
reduzida. Essa é a Tuna que vai participar do Campeonato
Paraense. O principal motivo, segundo Marcos Moraes, presidente do
clube, é a falta de dinheiro para bancar um plantel com
jogadores mais rodados que possam contribuir, de fato, com o
aumento da competitividade do clube, como o lateral-direito
Marquinhos Belém, 30 anos, que defendeu a Lusa no ano
passado, mas foi para o Paysandu por não estar satisfeito
com o que ganhava na Águia - em torno de R$ 1, 5 mil.
O técnico Carlos Lucena, entretanto, ainda pode contar com a
experiência dos zagueiros Sérgio e João Gomes,
de 32 e 31 anos, maiores referências do atual plantel tunante
que foram aproveitadas pelo clube. Marcos Moraes diz que, para a
fase principal do Parazão, a folha do clube não vai
ultrapassar os R$30 mil, o que ocasionou a troca de jogadores mais
experientes, um tanto mais “caros”, por atletas ainda
desconhecidos e, portanto, ainda tão valorizados no
cenário local, como os atacantes Vanderlei e Wellington, de
22 e 23 anos.
NÃO
QUERO MAIS!
Tartaruga aprende com os erros
Há
três anos o Ananindeua, que por algum tempo cultivou a
prática de trazer jogadores rodados (Gauchinho, atacante,
foi o maior exemplo deles, em temporadas passadas), segue
misturando elementos formados em suas categorias de base com
jogadores indicados por seus técnicos, dando margem a folhas
de pagamento de até R$50 mil. Continuando com essa
política, o Ananindeua já contratou oito jogadores
para reforçar a equipe no próximo Estadual e ainda
precisa de mais dois para as posições de centroavante
e lateral.
A Tartaruga se mantém por meio de uma rede de parcerias com
empresas e prefeitura locais e pretende conquistar o Estadual
apoiada no talento de revelações como o meia Flamel,
24 anos, e o atacante Joãozinho, de 21. Segundo Afonso
Almeida, presidente do clube, o ideal é continuar
favorecendo a promoção de atletas de suas categorias
de base para o fortalecimento de uma futura fonte de receita: a
venda de jogadores.
(Fonte: O
Diário do Pará)
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