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Emergentes investem em sucatões  (Parazão 2008) escrito em terça 22 janeiro 2008 11:39

VALE O INVESTIMENTO? Castanhal e Vila Rica/Cametá gastam o que têm e o que não têm para seduzir jogadores rodados e que fizeram história nos grandes clubes

Na esperança de conquistar o título estadual, equipes como Castanhal e Vila Rica/Cametá apostam na força de verdadeiras “máquinas” montadas com peças da mais fina e local sucata. Mas não são só estes os clubes que apostam na mistura de jogadores experientes com novos valores. Tuna e Ananindeua sabem que o investimento em atletas reconhecidos no futebol paraense é importante tanto para atrair o público, saudoso dos bons tempos vividos por aqueles jogadores nos dois grandes clubes do Pará, quanto para a criação de pontos de referência dentro de campo.
Enquanto isso, as torcidas de Remo e Paysandu se espantam com a ousadia dessas equipes “emergentes”, que pretendem, a todo preço, vencer o Campeonato Paraense. Em Castanhal, Jóbson, Rogerinho, Helinho e Gian prometem ser os diferenciais do Japiim no Estadual. Em Cametá, Rogério Belém é uma das grandes apostas. O custo, entretanto, pode pesar nas costas destes times, já que estes jogadores, apesar dos grandes momentos que evocam os seus passados, não são garantias de boas atuações.

NA CASCA DO ALHO

Japiim aposta em “trintões”

Das nove contratações efetivadas pelo Castanhal desde o fim da primeira fase do Parazão 2008, três prometem tornar-se referências da equipe titular pela experiência acumulada no futebol paraense: Gian, 32, Jóbson, 33, e Rogerinho, com 39 anos.
A “rodagem”, para o presidente do Japiim, Gil Corrêa, pode compensar futura falta de condicionamento físico para atuar pelo Japiim. Jóbson e Gian, que já haviam se integrado à delegação que foi fazer a pré-temporada em Salinópolis (a cerca de 220 km de Belém), na segunda-feira passada, não participaram do amistoso com o selecionado local, vencido por 3 a 0 pelo Castanhal.
Segundo Corrêa, estes jogadores estão adquirindo preparo físico em um “trabalho diferenciado” para estar aptos a participar do amistoso contra o Remo, no próximo dia 28. E Rogerinho, que assinou ontem o contrato com o Castanhal, ainda não se juntou à delegação que está em Salinópolis e que deve realizar amistoso contra o Palmeiras, time amador daquele município, até o fim desta semana, antes do jogo contra o Leão Azul. Outro jogador que ainda transita na memória coletiva é o meia Edil, 41, que assinou com o Castanhal ainda na fase anterior do Estadual. Helinho, atacante que jogou no Remo e Tuna, é outra figura carimbada do Japiim.

TEM MAIS - Mas não é só em nome que o Japiim aposta. A equipe também é reforçada por valores desconhecidos do torcedor paraense, como o zagueiro Caçapa, que estava no Caxias (SC), o goleiro Régis e o zagueiro Haroldo, vindos do Ríver (PI), o atacante Amaral e o lateral-esquerdo Marquinhos, emprestados pelo local Bragantino. Além do volante Dênis, que jogava pela Seleção de Xinguara, e do goleiro Canu, parado antes de integrar o grupo castanhalense.
O presidente do clube não quis divulgar o valor da atual folha castanhalense. Na primeira fase do Estadual, o Japiim investiu R$ 36 mil em um elenco que não tinha “estrelas” do porte de Gian ou Jóbson e que, entretanto, garantiu a classificação do aurinegro à fase principal.

BALA NA AGULHA

Vila ainda quer Maico Gaúcho

Juntando peças produzidas em diferentes gerações do futebol paraense, o Vila Rica/Cametá foi um “monstro de sucata” tanto no torneio seletivo quanto na fase preliminar do Campeonato Paraense. Apesar de perder referências como o meia Flamel, que retornou ao Ananindeua – com o qual tem contrato -, e o atacante Landu, que foi para o Itumbiara (GO), a “experimental” equipe do técnico Fran Costa está se munindo de reforços de vários cantos do país para a disputa da fase principal do Estadual.
Entre eles está o meia Rogério Belém, 33 anos, que começou sua carreira como revelação do Remo em 1996, quando foi campeão estadual, se transferindo em seguida para o Grêmio (RS), passando pelo São Paulo (SP) e indo para o Ankara, da Turquia, onde ficou por três anos. Outro ex-azulino que chega à equipe é o zagueiro Magrão, que participou da Série B do Campeonato Brasileiro-2007 pelo Remo, do qual foi para o Tiradentes. A equipe ainda estuda a contratação do meio-campista Maico Gaúcho, outro que fez sucesso jogando pelo Leão.
Flamel, de 24 anos, foi principal jogador da equipe na primeira fase do Parazão, tendo marcado sete dos 17 gols do Vila na competição. Para o azar do Cachorro Doido, o meia foi obrigado a retornar para o Ananindeua, clube que o emprestou para a equipe de Cametá ainda para a disputa do torneio seletivo.
Já Landu, de 29 anos, foi a contratação de peso do Vila na fase preliminar. Ídolo remista, o matador chegou à equipe de Cametá por intermédio de um empresário que, inclusive, ficou responsável pelo pagamento da sua remuneração e moradia, com valores não divulgados, mas que, de acordo com o diretor Orlando Peixoto, não poderiam ser custeados pelo clube.

SEM GRANA

Sucatão não cola no Souza

Uma equipe jovem, com poucos jogadores na casa dos 30 anos e uma folha de pagamento reduzida. Essa é a Tuna que vai participar do Campeonato Paraense. O principal motivo, segundo Marcos Moraes, presidente do clube, é a falta de dinheiro para bancar um plantel com jogadores mais rodados que possam contribuir, de fato, com o aumento da competitividade do clube, como o lateral-direito Marquinhos Belém, 30 anos, que defendeu a Lusa no ano passado, mas foi para o Paysandu por não estar satisfeito com o que ganhava na Águia - em torno de R$ 1, 5 mil.
O técnico Carlos Lucena, entretanto, ainda pode contar com a experiência dos zagueiros Sérgio e João Gomes, de 32 e 31 anos, maiores referências do atual plantel tunante que foram aproveitadas pelo clube. Marcos Moraes diz que, para a fase principal do Parazão, a folha do clube não vai ultrapassar os R$30 mil, o que ocasionou a troca de jogadores mais experientes, um tanto mais “caros”, por atletas ainda desconhecidos e, portanto, ainda tão valorizados no cenário local, como os atacantes Vanderlei e Wellington, de 22 e 23 anos.

NÃO QUERO MAIS!

Tartaruga aprende com os erros

Há três anos o Ananindeua, que por algum tempo cultivou a prática de trazer jogadores rodados (Gauchinho, atacante, foi o maior exemplo deles, em temporadas passadas), segue misturando elementos formados em suas categorias de base com jogadores indicados por seus técnicos, dando margem a folhas de pagamento de até R$50 mil. Continuando com essa política, o Ananindeua já contratou oito jogadores para reforçar a equipe no próximo Estadual e ainda precisa de mais dois para as posições de centroavante e lateral.
A Tartaruga se mantém por meio de uma rede de parcerias com empresas e prefeitura locais e pretende conquistar o Estadual apoiada no talento de revelações como o meia Flamel, 24 anos, e o atacante Joãozinho, de 21. Segundo Afonso Almeida, presidente do clube, o ideal é continuar favorecendo a promoção de atletas de suas categorias de base para o fortalecimento de uma futura fonte de receita: a venda de jogadores.

(Fonte: O Diário do Pará)

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