As limitações dos sócios
Como a
terça-feira é tradicionalmente dedicada aos pitacos
do torcedor, abro espaço para o comentário de Lucas
Felgueiras, ainda a propósito do papel dos sócios na
condução de um clube de futebol. Ele discorda quanto
à parcela de culpa (ou omissão) dos associados quanto
ao que vem ocorrendo no Remo e responde aos pontos de vista do
leitor Antonio Oliveira, cujas opiniões foram expostas na
coluna de ontem.
Mesmo desestimulado com o futebol paraense, pelas razões
óbvias, Felgueiras diz que não conseguiu se conter
depois de ler sobre o posicionamento de Antonio Oliveira.
“Não sei se o sr. Oliveira imagina que podemos
(os sócios) fazer, mas alguém devia lembrá-lo
(ou até mesmo informá-lo, caso ele tenha se
associado recentemente), que infelizmente o sócio não
passa de um torcedor comum que contribui mensalmente com R$ 30,00
com o clube. O único direito que essas poucas pessoas
(devido à inadimplência, hoje em dia não
passam de 500) têm é deixar de pagar suas
mensalidades. Devido ao tratamento que obtemos por parte da
direção do Clube do Remo, imagino que nem essa
atitude os incomoda (não é segredo para
ninguém, que profissionalismo passa longe do Leão
Azul)”.
Segundo Felgueiras, a exemplo do torcedor comum, o sócio
também não vota para presidente (mas sim para o
Conselho, e este sim define o presidente). “Talvez seu
leitor deva ler o estatuto do clube antes de falar a respeito e
imputar parte de todo esse amadorismo que assola nosso clube a
pessoas que estão tão magoadas com os rumos do Remo
quanto ele”, acrescenta. Nesse aspecto, pelo que entendi das
observações de Oliveira, há plena
consciência das limitações do associado, tanto
que propõe que o voto passe a ser direto para escolha do
presidente.
Quanto à proposta de afastamento de Raimundo Ribeiro,
Felgueiras lembra que, “quando alguns associados, liderados
pelo ex-vice-presidente Guto Hage tentaram agir há alguns
meses, ouviram vários ‘é hora de se unir em
torno do clube’, ‘esses rachas só servem para
atrapalhar’ etc.”.
Marcelo Batista critica a preferência por clubes de outras
plagas. “Torcedor comum com bandeiras e camisas de clubes de
outros Estados é a forma mais clara de provincianismo. No
último domingo achei que estava em pleno Rio de Janeiro,
já que vi tantas bandeiras e camisas de clubes daquele
Estado em nossa cidade. Acho, também, que a culpa de
tal fato se deve aos programas esportivos, pois, em muitos deles
há até comentários sobre a rodada dos
campeonatos do Rio e S. Paulo”. Bem, a opinião
é livre e não censuro ninguém, mas todos sabem
de minha posição. Acho que torcer é algo
tão pessoal e íntimo, acima de questões
gráficas, que ninguém tem o direito de
palpitar.
Já o baluarte Eliel Dias Fernandes escreve para elogiar o
caderno Bola Especial Coquetel Anticrise. “É
incrível que esses aprendizes de dirigentes não
tenham ou não queiram ter essa percepção que
vocês da imprensa esportiva (DIÁRIO DO PARÁ)
têm. Pra mim, isso é burrice, sinceramente.
Vocês estão de parabéns. Um
abraço”.
E o Jorge Martins, do Reduto, espectador do Bola na Torre,
também destaca a edição especial do Bola:
“Quero dizer que há muito não lia algo
tão esclarecedor no jornalismo esportivo de Belém. O
trabalho sobre a crise do nosso futebol tocou em todas as
feridas que estão abertas e humilham o mais passivo
torcedor. Aplausos, pois sei que de algum modo o que o Bola na
Torre faz tem uma mesma linha esclarecedora, que somente nossos
dirigentes lambanceiros não conseguem
enxergar”.

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