HOMEM DE
BAGAGEM Com currículo respeitável, Luís Carlos
Martins é a bola da vez no Baenão após a
saída de Samuel Cândido
Menos de 24 horas depois de
dispensar Samuel Cândido, que saiu do comando técnico
com a derrota de 2 a 1 em pleno Mangueirão para o Santo
André na última terça-feira, a diretoria do
Remo não perdeu tempo e já contratou o substituto. O
novo treinador do Leão Azul é Luís Carlos
Martins, paulista de 51 anos que dirigiu o Mirassol-SP no Paulista,
conquistando o acesso da Série A-2 para a A-1.
O presidente Raimundo Ribeiro, em contato telefônico com o
Bola no início da noite de ontem, disse que faltava apenas
acertar alguns detalhes sobre o salário de Martins, que tem
um currículo de respeito e muita moral no interior de
São Paulo, onde é conhecido como “Rei do
Acesso”. Em Brasileiro ele também tem história:
em 2005, levou o América-RN da Série C para a
Segundona, e recentemente esteve nos planos do Paysandu - só
não fechou negócio porque aguardava chamado de
equipes da Série B ou Primeira Divisão.
A cúpula azulina passou a quarta-feira inteira analisando
nomes e fazendo contatos na sede social do clube, na região
central de Belém. Os nomes de Luís Carlos Winck,
Waldemar Lemos, Estevam Soares e Heriberto da Cunha circularam
entre as conversas. Os dois últimos saltaram na frente entre
os preferidos, mas Soares estava se transferindo para o
Brasiliense, enquanto Heriberto teria pedido muito alto. O
capitão do tri mundial, Carlos Alberto Torres, segundo
Raimundo Ribeiro, sequer foi cogitado. Com a
contratação de Luís Carlos Martins, que
é atualmente um profissional relativamente caro com a fama
que construiu, o Remo prevê dias melhores.
Martins deverá comandar o time já contra o Paulista,
pela quarta rodada da Segundona, dia 1º de junho, fora de
casa. O técnico, que foi submetido a uma cirurgia no menisco
há cerca de três meses, passou por grandes clubes do
futebol brasileiro, como Bahia e São Caetano. Segundo
Raimundo Ribeiro, a ordem de passagem para o técnico
será emitida de imediato, faltando apenas definir a data e o
horário do vôo para Belém. “O homem
é bom, temos as melhores referências dele e vamos
trazê-lo”, prometeu Ribeiro.
J.R.RODRIGUES
Carreira
como treinador
Mirassol
(SP)
Vila Nova (GO)
América (RN)
Mirassol (SP)
Marilia (SP)
Itápolis (SP)
Santo André (SP)
Portuguesa (SP)
Joinville(SC)
Atlético Sorocaba (SP)
Bahia (BA)
São Caetano (SP)
Noroeste (SP)
União Barbarense (SP)
Matonense (SP)
Paraguaçuense (SP)
Rio Branco (MG)
Guaçuano (SP)
Principais
acessos
2005 America (RN)
Brasileiro da Série C para Série B
1997 Barbarense Paulista da Série A-3 para A-2
1996 Matonense Paulista da Série A-3 para A-2
1995 Matonense Paulista da Série B1-A para A-3
1995 Noroeste Paulista da Série A-3 para A-2
1993 Paraguaçuense Paulista da Série A-3 para
A-2)
1992 Guaçuano Paulista da Série A-3 para A-2
1986 Rio Branco Paulista da Série A-2 para A-1
Martins
foi pego de surpresa
Antes mesmo de
bater o martelo com a diretoria do Remo, o técnico
Luís Carlos Martins confessou ao Bola, na noite desta
quarta, que ficou admirado com o chamado repentino do clube
paraense. “Eles (os dirigentes) me ligaram hoje (ontem), e
fui pego de surpresa”, disse. De Bauru, por telefone, o
“rei do acesso” esperava sacramentar o acordo
profissional com os cartolas, marcado para o final da noite. Mas
Martins falou sobre as perspectivas e o seu método de
trabalho.
BOLA -
Fechado definitivamente o negócio, você tem
condição de chegar já nesta quinta-feira a
Belém?
Luís Carlos Martins - Não. Teria de arrumar
minhas coisas por aqui. A verdade é que fui pego de surpresa
com o convite que me fizeram. Seria no final de semana,
sábado ou domingo, precisaria ver. Não poderia
demorar muito para não atrapalhar os trabalhos no
Remo.
BOLA - O
que já lhe foi informado sobre o plantel?
Luís Carlos Martins - A gente sabe como é
uma Série B, e no Remo tem vários jogadores
conhecidos, vários que já enfrentei por outros times.
Não haveria problemas nesse aspecto.
BOLA -
Como você encara a chance de, depois de subir com uma equipe
da Série C para a B, agora com o Remo pular para a
elite?
Luís Carlos Martins - Tenho muitas
experiências de acessos, não só no interior de
São Paulo, mas também em Minas e pelo Brasileiro da
Série C com o América de Natal, que subiu para a B em
2005. Claro que ter uma perspectiva dessas no Remo
agrada.
BOLA -
Qual é a sua forma de trabalhar para justificar a fama de
“rei do acesso”? O que em geral valoriza ou procura
enfatizar numa equipe?
Luís Carlos Martins - Gosto muito do trabalho em
grupo, procuro transformá-lo numa família. Sou de
cobrar muito, mas valorizo o atleta que zela por sua
profissão até fora de campo.
BOLA -
Como costuma montar suas equipes?
Luís Carlos Martins - Não há um
esquema tático fixo para uma competição
difícil como a Série B. Depende do momento. É
importante você poder fazer diferentes sistemas de
jogo.
BOLA -
Você já enfrentou algumas vezes o Remo,
não?
Luís Carlos Martins - Várias vezes. Em 2005,
por exemplo, com o América, ganhamos em Natal por 1 a 0 e
perdemos em Belém por 2 a 1. Teve até um atacante meu
que foi expulso.
BOLA - E o
possível contato com a torcida do Remo daqui para a
frente?
Luís Carlos Martins - O clube tem uma grande
torcida, sempre se fala isso aqui por São Paulo.
Aliás, tanto o Remo quanto o Paysandu possuem torcidas
grandes. É como o Bahia, que já comandei, e o
próprio América de Natal. (J.R.R.)
Astorga
já deve voltar
A expulsão
de Magrão e o bom tempo de folga até o duelo com o
Paulista abre uma quase certeza na próxima
escalação do Remo: o zagueiro e antigo capitão
André Astorga deve voltar ao time do Remo. O
grandalhão fez falta contra o Barueri e depois no pega com o
Ipatinga, especialmente para anular o jogo aéreo rival. Pela
terceira rodada com o Ramalhão, o deus-nos-acuda foi pior. O
primeiro gol dos paulistas saiu pelo lado que costuma ocupar, o
direito da defesa.
André Astorga, que não joga desde a partida final com
a Tuna pelo Parazão, diz que estará recuperado da
contusão nos ligamentos colaterais do joelho direito.
“Minha vontade é muito grande de jogar, não
agüento mais ficar de fora”, disse o xerife. Na semana
passada, o local mostrava um inchaço e ainda doía.
“Esse tipo de lesão é demorado. Tenho de ter
paciência.” (J.R.R.)
Beto vai
para o Sul
O volante Beto poderá
não jogar mais pelo Remo. Depois de dois anos no
Baenão, o jogador conseguiu ontem sua
liberação, sem ônus, para atuar pelo
Juventude-RS, que disputa a Série A do Brasileiro. O
técnico da equipe de Caxias do Sul, o ex-azulino
Flávio Campos, havia pedido a contratação do
cabeça-de-área, que tinha contrato com o Leão
até o final do ano. O Juventude ofereceu alguns atletas em
troca, entre eles o meia-atacante Zé Rodolfo, mas a
diretoria do Remo ainda não se pronunciou. No site do clube
alviverde, uma notícia divulgada ontem dava conta da
contratação oficial do volante Marcão,
ex-Cabofriense-RJ e Fluminense, mas não fazia qualquer
alusão a Beto. André Barata também foi cedido
por empréstimo ao clube da serra gaúcha.
CLIMA
PESADO - O dia seguinte da derrota para o Ramalhão
não foi dos melhores. O ambiente antes alegre, com sorrisos
e brincadeiras no estádio Evandro Almeida, foi
substituído pelo silêncio e caras fechadas. Poucos
jogadores foram até a sala de Imprensa no período da
tarde. A maioria preferiu assistir à partida entre Milan e
Liverpool pela Liga dos Campeões da Europa, longe dos
olhares dos repórteres. Os atletas reservas fizeram um
coletivo debaixo de chuva. Os atacantes Joãozinho e Edilson,
que entraram no segundo tempo contra o Santo André,
participaram da movimentação. (J.R.R.)
Matador
já quer treinar
O atacante
Fábio Oliveira está disposto a conquistar a torcida
com uma disposição poucas vezes percebida no
Baenão. Ontem, o jogador, operado de afundamento do malar
pela manhã, já queria voltar aos treinamentos nesta
quinta-feira. A lesão foi sofrida no confronto com o
Ipatinga, mas mesmo com dores o atleta se dispôs a atuar na
terça-feira e acabou entrando contra o Santo
André.
“O médico disse que eu teria de parar por duas
semanas, mas eu falei para ele que era muito tempo”, disse
Fábio, que foi liberado para recomeçar os treinos
até o início da próxima semana. O jogador
admitiu que sente dores no local, mas que não teme complicar
o quadro clínico contrariando a recomendação
médica inicial. “É a minha profissão. Se
tiver problema, volto para o hospital”, brincou.
Sem querer polemizar, Fábio Oliveira disse que depois do
revés na última rodada, a ocasião não
é de caça às bruxas. “Não se pode
procurar agora erros e culpados, mas sim de trabalhar todos esses
dias que temos pela frente. A torcida pode ter certeza que podemos
faremos dez jogos em casa, por exemplo, mas que será
difícil se repetir uma derrota como a que sofremos diante do
Santo André. Nós tínhamos um jogador a mais e
não conseguimos trabalhar a bola. Ficamos nervosos e a bola
acabou não entrando.” (J.R.R.)
(Fonte: Diário do
Pará)
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