EMOÇÃO NO AR Tabus, possibilidade de ser o último encontro do ano, rivais com papéis invertidos no returno e favoritismo barrado marcam o 693o pega entre Leão e Papão
Um dos principais
clássicos do Brasil será disputado no domingo sem a
certeza de que será repetido nesta temporada. O Remo
está garantido na Série C deste ano e o Paysandu
ainda busca sua vaga. Ambos estão cotados para fazer a final
do segundo turno, mas até lá muita água vai
rolar debaixo da ponte e, como no primeiro turno, quando deu
Águia e Ananindeua, melhor colocar as barbas de molho e ver
no que vai dar.
Alheio à incerteza de um novo reencontro, ambos chegam ao
Re-Pa de número 693 em situações contrastantes
em relação ao primeiro choque na Taça Cidade
de Belém. Mesmo bem próximos na tábua de
classificação, é evidente a diferença
entre os momentos que vivem cada um dos dois. O Remo, que virou
saco de pancadas no primeiro turno, chegando ao ponto de perder
para equipes sem grandes pretensões no campeonato, como
Pedreira e Tiradentes, resolveu despertar para a vida durante os
quase 30 dias de clausura entre a eliminação na fase
classificatória e a estréia no segundo turno.
O longo período para refletir suas lambanças e
corrigir seus inúmeros erros acabou dando resultado nas
quatro primeiras rodadas da Taça Estado do Pará.
Foram quatro vitórias seguidas, a última delas dando
pinta de que dificilmente o time do Rei Artur estará fora
das semifinais: 5 a 2 no Castanhal, dentro do Modelão, com
direito a uma boa prova de um poder de superação
visto apenas na reta final da Segundona em 2007.
Já o Paysandu, colado no rival na tabela, vacilou apenas ao
empatar com o Vila Rica no Mangueirão na segunda rodada,
sinal de que o time não havia se recuperado ainda do baque
emocional com a eliminação para o Águia nas
semifinais do primeiro turno, quando jogava pelo empate e acabou
sucumbindo. Sai o vitorioso Givanildo Oliveira, entra Edson Boaro,
conhecido por essas bandas apenas como um bom ex-jogador de Remo e
Paysandu nos anos 90.
A equipe ainda não engrenou, apesar da vitória
convincente sobre o mesmo Águia, o algoz das semifinais, em
Marabá, por 2 a 0, com boa atuação de
Luís Mário. Como se vê, o futebol sempre
reserva boas surpresas e hoje coloca os dois arqui-rivais em
situações invertidas na competição.
Porém, daí a depositar alguma vantagem azulina sobre
o oponente baseando-se apenas na superação de uma
desconfiança inicial é uma outra história.
Como se sabe, aqui ou em qualquer lugar do planeta, em
clássicos, apesar dos retrospectos favoráveis ou
qualquer outro dado que aponte algum favorito, as possibilidades se
igualam dentro do retângulo.
CLAYTON
MATOS
Editor
SEGURANÇA TOTAL
Polícia Militar "escala" 1.120 homens
Foram alinhavadas
ontem pela manhã, numa reunião no Ministério
Público do Estado, as providências para o jogo de
domingo entre Remo e Paysandu pela quinta rodada do returno.
Diversos assuntos foram discutidos, dentre os quais trânsito
e transporte, condições de acesso, venda de
ingressos, comércio ambulante e a polêmica sobre a
entrada de idosos e de pessoas com deficiência. Pressionados,
dirigentes azulinos e bicolores presentes no encontro recuaram da
decisão de vetar sumariamente ambas as categorias, no
intuito de evitar a evasão de renda com classes, embora
beneficiadas por lei e portando credenciais.
Para garantir segurança antes e depois a partida, a
Polícia Militar escalará um efetivo de 1.120 homens,
segundo o titular do Comando de Policiamento da Capital (CPC),
coronel Osmar Albuquerque. O contingente será
distribuído desde o bairro de São Brás
até o Mangueirão. O número é superior
ao que foi determinado no primeiro clássico, em
março, no qual trabalharam 980 militares. O Corpo de
Bombeiros estará com 250 membros envolvidos da Defesa
Civil.
A Companhia Municipal de Transportes de Belém (CTBel), cujo
trabalho foi bastante criticado no Re-Pa do primeiro turno,
prometeu dispor de doze homens fixos na Transmangueirão, uma
das vias de acesso ao local do espetáculo e que terá
mão única de uma a três horas antes de a bola
rolar. Duas viaturas e três motocicletas da CTBel
farão rondas no perímetro, que começa no
cruzamento da avenida Júlio César.
O Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran)
terá 50 agentes na ativa para o jogo, e a Guarda Municipal
contará com doze, além de dois carros e três
motos. A Secretaria de Economia ficou encarregada de coibir o
comércio ambulante na área do estacionamento, que
atrapalha o tráfego e a circulação de
torcedores. A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel)
garante que todas as catracas, vistoriadas pelo Centro de
Perícias Científicas (CPC), estarão
funcionando normalmente.
A reunião no auditório Natanael Leitão, do MP,
foi dirigida pelo 3o promotor de Justiça de Defesa dos
Direitos do Consumidor, Marco Aurélio Lima do Nascimento.
Compareceram outros promotores de Justiça: Nilton
Gurjão das Chagas, Waldir Macieira da Costa Filho, Domingos
Sávio Campos e Milton Menezes.
O presidente da Associação de Cronistas e Locutores
Esportivos (Aclep), João Batista Ferreira da Costa,
integrantes da Federação Paraense de Futebol (FPF) e
os presidentes de Remo e Paysandu, respectivamente Raimundo Ribeiro
e Luiz Omar Pinheiro, foram à audiência com alguns
diretores. (J.R.RODRIGUES)
LIBEROU
GERAL
Clubes baixam a guarda
Na abordagem no
Ministério Público (MP) sobre as gratuidades nos
estádios, discussão que ganhou força em
razão do clássico Re-Pa no próximo domingo,
Dia das Mães, a Federação Paraense de Futebol
e as diretorias de Remo e Paysandu garantiram que irão
cumprir com a lei estadual 5.753/93, permitindo o acesso gratuito e
prioritário de idosos com 60 anos ou mais e pessoas com
deficiência, desde que estes apresentem a carteira da
Secretaria de Estado de Cultura (Secult) ou da
Associação Paraense das Pessoas com Deficiência
(APPD), acompanhada de carteira de identidade, nos portões
de acesso dos credenciados, seja do Remo ou Paysandu no dia do
jogo.
No Estádio Mangueirão haverá equipe de fiscais
da Secult e da APPD, além de representante do MP
fiscalizando o cumprimento da gratuidade, como também a
regularidade das carteiras de gratuidade a fim de que não
haja abusos ou uso de carteiras falsas, garantindo o acesso
tranqüilo dos idosos e deficientes. As
informações são do promotor de Justiça
de Defesa da Pessoa com Deficiência e do Idoso, Waldir
Macieira da Costa Filho, que também coordena as promotorias
de Defesa da Cidadania.
Para maior comodidade no acesso, de acordo com o promotor, a
organização pede que os deficientes e idosos,
principalmente os cadeirantes e com dificuldade de
locomoção, cheguem com uma hora de antecedência
do início da partida para acesso sem transtornos. “Os
acompanhantes terão que pagar a entrada, com
exceção daqueles deficientes que têm grave
dificuldade de locomoção, que será permitido o
acesso gratuito do acompanhante”, explicou Waldir
Macieira.
Ele destacou que o Ministério Público
intervirá diante de “qualquer ato que obste ou
dificulte o acesso de deficientes e idosos nos estádios que
caracteriza crime de discriminação e também
crime de desobediência por descumprir uma lei estadual e
decisão judicial da 5a Vara Cível de Belém que
garante o acesso dos idosos”. Ficou decidido ainda que
policiais militares e civis, além de bombeiros, não
sofrerão restrição de acesso.
(J.R.RODRIGUES)
(Fonte: O Diário do Pará)
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