Dívidas e cotas a serem pagas fazem com que Remo e Paysandu fiquem com menos de 20% do que arrecadam
No quadro em
que se encontra o futebol paraense atualmente, motivos para sorrir
estão escassos para onde quer que se olhe. Resultados
negativos vindos de administrações mal sucedidas,
atraso no pagamento de jogadores que culminaram com o pagamento de
multas ou ações judiciais, que por fim resultaram na
retenção de 50% da receita acumulada pelas
agremiações são apontados pelos dirigentes
como os grandes empecilhos para uma boa gestão. Os clubes
tentam agora negociar com a Justiça para reduzir a
porcentagem de desconto e assim buscar o caminho de
subsistência enquanto tentam se livrar dos prejuízos,
e esta redução pode ser providencial.
O Clube do Remo divulgou ontem um demonstrativo financeiro da renda acumulada desde o começo do Campeonato Paraense de 2008. Na tabela detalhada, consta a renda bruta de cada partida disputada no primeiro e segundo turnos, seguida dos custos que o clube tem que arcar, como: aluguel de campo, remuneração do quadro da federação, remuneração da arbitragem e auxiliares, despesas com o INSS, entre outros. O valor bruto acumulado pelo Leão foi de R$ 1.719.915. No entanto, o que efetivamente chegou aos cofres azulinos foi R$ 243.951,67, algo em torno de 14% do valor bruto que seria o suficiente para quitar os custos salariais e de manutenção do Remo por todo o primeiro semestre. O presidente do Remo, Raimundo Ribeiro, mostrou-se descontente diante de todas as taxas cobradas. 'Esse excesso de taxas tem tornado o futebol inviável aqui no Pará. Os clubes ficam amarrados, sem ter para onde correr. O que resta para nós de receita não paga nem as despesas mensais do Clube do Remo', disse.
No Paysandu, a situação é praticamente a mesma. De acordo com Isaías Burlamaqui, diretor administrativo e financeiro do clube, a receita do Paysandu gira em torno dos mesmo valores azulinos e o montante que chega aos cofres do clube alcança uma porcentagem pouco maior que a acumulada pelo Remo. 'A nossa arrecadação é pouco maior que a do Remo, mas este é um problema que atinge a todos nós', disse. No entanto, como houve uma reunião na diretoria do clube entre o alto escalão madatário do Papão, os valores precisos não puderam ser divulgados.
Federação abocanha uma boa fatia
Nos 14 jogos que disputou até agora nos dois turno do Campeonato Paraense o Clube do Remo teve uma renda bruta de R$ 1.718915,00, o que dá uma média de R$ 122.779,65 - média ilusória, já que aí estão somadas as cotas dos dois RexPa (R$ 264.130,90 e R$ 195.502,35). Mas esse números não remetem à realidade azulina. Dados todos os descontos e despesas que o clubes têm nos jogos, o Leão Azul saiu com incríveis, e tristes, R$ 243.951,67. Ou seja, apenas com 14,19%. Isso mesmo, com menos de um quinto de toda a renda que gerou até aqui.
Mesmo que nada fosse descontado a média citada acima seria insuficiente para bancar a despesa mensal com o futebol profissional, que chega a R$ 300 mil com os salários do elenco, da comissão técnica, funcionários e demais despesas. Isso lembrando que somente a partir do próximo mês o clube deve voltar a receber dividendos advindos de patrocinadores. Até maio nada vindo de fora das arrecadações ficou nos cofres azulinos. Toda essa verba estava embargada para o pagamento de dívidas judiciais e com demais credores.
No demonstrativo apresentado ontem pelos azulinos salta à vista quem é a maior responsável pelos descontos do Remo nas partidas. Engana-se quem pensa que seja a Justiça do Trabalho - embora ela fique com o maio quinhão devido aos bloqueios do dinheiro dos patrocinadores. Na verdade trata-se da Federação Paraense de Futebol. Com exatos 10% sobre a renda bruta de todas as partidas a FPF abocanhou exatos R$ R$ 171.891,50. É mais do que seria a média remista.
Segundo o presidnete Raimundo Ribeiro uma das saídas é rever algumas dessas despesas, sendo que parte delas é engessada - como a da própria federação, percentual nacional.
(Fonte: Jornal Amazônia-pa)
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