Remo bate o Águia por 2 a 1 e conquista o bicampeonato paraense de futebol. Festa para a nação azulina.
O Clube do Remo
é bicampeão paraense. Ontem à tarde, no
Mangueirão, o Leão Azul venceu o Águia por 2 a
1 e confirmou uma das maiores recuperações que a
competição estadual já teve. O time azulino
terminou o primeiro turno na antepenúltima
colocação e finalizou sua participação
na segunda colocação geral com 41 pontos, mesma
pontuação do Paysandu, com apenas uma vitória
a menos. Foi a vitória da superação diante das
dificuldades. O Remo passou por vários obstáculos
fora de campo, como falta de estrutura e atrasos salariais, o que
quase minou a campanha na reta final. Mas na hora da decisão
a equipe conseguiu ser superior nos momentos decisivos e levantou o
troféu.
A conquista do Campeonato Paraense no ano do centenário da competição tem também outro significado. Em 2006 o Remo teve a oportunidade de empatar a quantidade de títulos estaduais com o Papão, mas essa igualdade demorou dois ano para acontecer. Desde ontem os dois maiores rivais têm os mesmos 42 títulos dentro do estado.
No jogo de ontem o time venceu com gols do atacante Léo Guerreiro e do meia Ratinho. Marclésio descontou para o time marabaense. A partida foi exemplar quanto à trajetória azulina. Mesmo nos melhores momentos, até quando nas três oportunidades em que venceu os clássicos contra o Paysandu, o Remo sempre foi um time de operários e muitas dessas vitórias foram sofridas. Ontem, a bem da verdade o Águia só descontou aos 44 da etapa final, mas todos os 90 minutos foram bem equilibrados, com cada um se alternando no comando das ações.
O técnico Artur Oliveira voltou a lembrar de todas as dificuldades que encontrou no clube quando deixou o Ananindeua para assumir o Remo. Ele reconheceu que o que mais lhe preocupou nos últimos tempos foi o problema com o atraso salarial que ameaçou minar a campanha. 'Foi um adversário que poderia pôr tudo a perder, como foi no rebaixamento para a Série C. O grupo conseguiu se superar diante das dificuldades', disse Artur.
No próximo domingo começa mais uma batalha, a mais importante para o Leão Azul e os dois outros times paraenses, a Série C do Campeonato Brasileiro. Para enfrentar o Cristal-AP o time tem à disposição a base que terminou o Parazão. O treinador contará com as chegadas de Joãozinho e Fabinho, e já indicou o zagueiro Charles e volante Paulinho Pitbull. As indicações de Artur gereram uma controvérsia dentro do clube. Representante do Remo na FPF, Sérgio Dias afirmou que nas contratações não terão mais atletas locais, o que gerou uma resposta imediata do técnico.
'O Sérgio Dias não é treinador. Ele não faz parte da minha comisão. Vou para guerra com meus guerreiros, pessoas que dêem a vida por mim. Junto com a minha comissão técnica vou trabalhar e sei que jogadores valorizar. Não vou aceitar que se metam no meu trabalho. Não levo em consideração a opinião do Sérgio', afirmou Artur, que dá como certa a contratação dos dois jogadores da Tartaruga.
OS GOLS
Remo 1 a 0 - O jogo estava bastante equilibrado, mas era o time marabaense quem tinha a maior posse de bola. O Remo errava passes em demasia e não havia chegado com perigo ainda na área adversária. Foi então que o atacante Marcelo Maciel dominou na intermediária e todos esperavam que ele entregasse a bola para algum meia, mas num lampejo - o único - ele deu um passe precioso e colocou Léo Guerreiro na cara do gol. Os dois laterais do Águia deram condições para que o atacante tivesse tranqüilidade para tocar na saída do goleiro.
Remo 2 a 0 - Em vantagem no placar o Remo tentava explorar o contra-ataque nos espaços deixado pelo Águia, que precisava ir para cima. Mas mesmo assim os passes errados voltavam a atrapalhar demais. Foi então que Léo Guerreiro tentou jogada individual e se deu bem. Ele caiu pela esquerda e ao colocar na frente foi derrubado dentro da área por Leandrinho. Ratinho foi para cobrança e ainda deixou a torcida apreensiva ao ver que a paradinha não surtiu efeito com o goleiro André Luís, mas o chute saiu forte no canto.
Águia 1 a 2 - O Águia era todo o ataque, mas o bom passe de bola do meio-de-campo não encontrava ressonância no ataque, inoperante. Mas no abafa, João Paulo foi derrubado em frente à área. Foi a chance para o meia Marclésio fazer seu 13º gol e se isolar na artilharia da competição. O jogador mandou uma bomba de pé esquerdo no ângulo de Adriano, por cima da barreira. O goleiro azulino nada pôde fazer para evitar o gol de honra da equipe marabaense, o mais bonito da partida.

Comentários