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As reclamações tiveram diversos alvos. O preferido, como tem sido freqüentemente, foi o presidente Raimundo Ribeiro. Jogadores como Edílson, Toninho e Leandrinho, junto com o técnico Luís Carlos Cruz, também foram lembrados. Como os principais atletas não subiram ao campo, as reclamações não tiveram a oposição temida pelos dirigentes. O recém-chegado Luís Carlos Cruz também teve que ouvir as lamúrias dos últimos torcedores que permaneceram no alambrado até as 18 horas. Mesmo com as reclamações, ele garante que não há desespero no Baenão. 'Há a possibilidade da classificação e ela é real', disse. 'O Remo depende apenas de si. Nosso pensamento é vencer e, pensando assim, treinaremos durante a semana', completou o técnico azulino, que espera contar com o meio-campista Jóbson para o próximo jogo, além de Marlon, Lenílson e Éverton, que já cumpriram suspensão automática. 'A boa notícia é o retorno desses jogadores. Aguardo também o Jóbson para a quarta-feira. Depois disso, é difícil contar com ele porque completará uma semana sem treinar.' Eventual eliminação causará sérios prejuízos financeiros Uma eventual eliminação do Remo na Série C do Brasileiro causará grandes prejuízos ao clube. Além de encerrar prematuramente sua participação na temporada, os azulinos ainda ficarão de fora da Série C do Brasileiro de 2009. Em termos financeiros, o quadro seria trágico, já que o clube teria de encontrar uma saída para pagar os salários dos jogadores e membros da comissão técnica, além dos funcionários. O clube, mesmo com o time em atividade, deve um mês de salários ao elenco. Até o mês passado, o atraso era de dois meses, mas o presidente Raimundo Ribeiro conseguiu um empréstimo para pagar o grupo. A eliminação azulina também pode acabar com a realização de dois clássicos contra o maior rival, o Paysandu - jogos que poderiam representar a 'salvação da lavoura' para as duas grandes forças do futebol do Pará. Os jogos, por se tratarem de clássico local, teria renda dividida em 60% para o vencedor, 40% para o perdedor e 50% para cada lado em caso de empate. Fora isso, os descontos para o pagamento de dívidas na Justiça do Trabalho seriam de 20% e não 40%, como vêm ocorrendo nas partidas das duas equipes. Para se ter uma idéia do quanto os clássicos renderia aos clubes, nas três partidas disputadas no Parazão, foram arrecadados R$ 1.868.370,00. Cada clube faturou R$ 613.700,38, descontando-se os 20% destinados a pagamento de dívidas cobradas pela Justiça do Trabalho. O Remo tinha até março um débito de R$ 6 milhões com ex-jogadores, treinadores e funcionários. De lá pra cá, o clube conseguiu amortizar parte da dívida, mas ainda continua tendo suas rendas bloqueadas para pagamento - isso ocorreu no confronto com o Holanda, quando o clube teve direito a pouco mais de R$ 118 mil e metade do valor foi levado pela Justiça do Trabalho. Uma eventual saída do Remo da Série C deixaria o torcedor do Leão sem jogos oficiais até o próximo ano, quando o time voltará a disputar o Estadual e, paralelamente, a Copa do Brasil. O longo tempo sem jogos oficiais obrigaria a diretoria remista a desmontar o elenco, o que obrigaria a diretoria a se endividar com uma boa parte do plantel. Só uma vitória diante do Rio Branco será capaz de evitar um desastre para o bicampeão paraense. Chances do Remo na Terceira Fase Para chegar à Terceira Fase da Série C, sem depender do resultado do jogo entre Holanda-AM e Luverdense-MT, em Manaus, o Remo precisa vencer o Rio Branco-AC, fora de casa. Um triunfo na Arena da Floresta leva o Remo a nove pontos na tabela, o que elimina sumariamente Holanda e Luverdense, que alcançam um máximo de oito pontos nessa fase.
Caso seja derrotado, o Remo é eliminado da competição. Isso porque, mesmo que ocorra um empate entre Holanda e Luverdense, as três equipes terminam a fase com a mesma pontuação. No entanto, o Luverdense, que conta com um gol de saldo, ficaria com a vaga, enquanto o Remo tem saldo de zero gols e os amazonenses possuem dois gols negativos. No primeiro confronto entre Remo e Rio Branco, disputado no Mangueirão, os acreanos chegaram a vencer o Leão por 3 a 1. Nos últimos minutos, os azulinos fizeram dois gols e empataram a partida - o que não deixou de ser um vexame, já que atuou diante de sua torcida. Se empatar em Rio Branco, os azulinos precisam torcer por um resultado semelhante no confronto de Manaus. |
(Fonte: Jornal Amazônia-pa)
Amanhã de ontem foi de suspense e apreensão
no Baenão. Com a reapresentação do elenco do
Remo e da comissão técnica marcada para a tarde,
havia o temor de que a torcida realizasse um protesto por causa da
derrota para o Holanda no Mangueirão, no dia anterior. A
demora para a abertura do portão do estádio era um
claro indício do receio azulino. No entanto, para a sorte
dos jogadores, um número pífio de torcedores - em
torno de 50 pessoas - compareceu aos treinos; a maioria se
queixando do desempenho ridículo da equipe na partida do
último domingo. Um grupo de cinco torcedores chegou a
esboçar palavras de incentivo para o time, mas foi
rechaçado cruelmente pela maioria. 'Tira essa imagem
daí! (referindo-se à imagem de Jesus Cristo
colocada pelo grupo na entrada dos atletas em campo)',
gritou um torcedor. 'Eles não têm cara de torcedor!
Parece um grupo de filhos de dirigentes', disse
outro.
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