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Na chegada, só a vergonha  (Últimas do Leão) escrito em segunda 08 setembro 2008 12:34

Poucos torcedores foram ao aeroporto internacional receber os remistas após maior vexame da história

O sentimento estampado no rosto dos jogadores azulinos era um só: vergonha. De cabeça baixa, os atletas e membros da comissão técnica desembarcaram ontem à noite, em Belém. Ninguém escondia a decepção. Os poucos torcedores que estavam no Aeroporto Internacional de Val-de-Cães durante a chegada se limitaram a zombar do desempenho da equipe no último sábado, quando perdeu por 3 a 0 para o Rio Branco/AC e foi eliminada na Série C.

'Envergonhados, chateados, nos sentimos assim. Mas quem ficar tem de ter consciência de que o Remo precisa se reerguer, porque o time vai continuar numa situação difícil. Nós somos os responsáveis pela queda', reconhece o zagueiro Diego Barros, capitão azulino. Assim como o 'xerife', todos os jogadores admitiram a culpa pelo rebaixamento da equipe. 'Temos que botar a mão na cabeça e pensar no que deixamos de fazer', declarou o atacante Moré.

Para o meio-campista Ratinho, um dos principais jogadores azulinos na conquista do Parazão 2008, nada justifica os últimos resultados do Remo, que perdeu pela segunda vez consecutiva. 'Agora é tentar erguer a cabeça novamente e saber o que se fez e o que não se fez. Temos que ter vergonha na cara. Nosso time perdeu. Fazer o quê?', disse o jogador, que não soube especificar a principal deficiência do time dentro de campo. 'Estávamos todos focados no jogo.'

Luís Carlos Cruz era o único membro da delegação que aparentava tranqüilidade. Acompanhado pelo coordenador de futebol, Sérgio Papelin, o treinador azulino lamentou o resultado contra o time acreano, mas garantiu que fez o que podia ser feito para classificar a equipe. 'Não faltou trabalho. Acredito que, dentro do limite técnico, os jogadores alcançaram o próprio limite', comentou o técnico, que será dispensado hoje pela diretoria azulina.

O Remo deixou a Série C na última colocação do grupo 17, com apenas seis pontos. E, dependendo do resultado no Parazão 2009, o Leão pode até perder a chance de classificação à Série D do ano que vem.

Oposição promete não deixar raimundo Ribeiro em paz

Não bastasse a pressão dos torcedores, que não se conformam com a eliminação do time na Série C do Brasileiro, o presidente do Remo, Raimundo Ribeiro Filho, ainda terá a oposição a sua gestão em seu calcanhar. Um grupo de conselheiros azulinos, que conta, entre outros, com Guto Age, Benedito Sá, Wilton Moreira, Jones Tavares e João Mota, pretende pedir a renúncia do dirigente, que terá seu mandato encerrado somente em dezembro. A oposição azulina deve começar a se reunir, a partir de hoje, segundo Age, para articular a maneira como forçará o presidente a deixar o comando do Leão antes do final do ano.

Ontem, por telefone, Age afirmou que a saída do time remista da Série C deve aumentar o número de opositores a Ribeiro. 'Com toda a certeza muitos dos conselheiros que antes apoiavam o presidente agora já devem estar pensando diferente', declarou Age, que chegou a ocupar o cargo de vice-presidente do clube, mas acabou renunciando em setembro do ano passado. 'Senti que o final da história daria nessa situação que está aí', justificou.

As articulações para pressionar Ribeiro a deixar o comando do clube foram iniciadas logo após a confirmação da eliminação do time na Série C com a derrota frente ao Rio Branco. Age criticou a falta de organização da administração de Ribeiro. 'Não existe nenhum planejamento no clube. Tudo é feito da maneira que o presidente determina', criticou. De acordo com Age a saída do Remo da Terceirona representou o fundo do poço para a atual gestão azulina.

'Não tem mais para onde o Remo ir. Essa saída da Série C representa o fundo do fundo', disparou Age. 'É uma prova de que o presidente não pode mais continuar no comando do Remo', avaliou. O ex-vice-presidente passou o dia de ontem fazendo contatos com membros do grupo de oposição. 'Estamos estudando a maneira de forçar o presidente a deixar o cargo. Mas somente a partir de amanhã, quando a gente deve reunir é que vamos ter alguma coisa de mais concreta', avisou.

A insatisfação dos torcedores com a situação do clube não é nada diferente da demonstrada pelos conselheiros. A prova foi dada no sábado quando um grupo formado por cerca de 30 deles quebrou as vidraças da sede social azulina. Os torcedores seriam liderados pela torcida organizada Remoçada, que atua na clandestinidade, já que foi banida dos estádios por determinação da justiça.

(Fonte: Jornal Amazônia-pa)

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