Em reunião ordinária realizada ontem à noite o Conselho Deliberativo do Clube do Remo decidiu antecipar a eleição do sucessor do presidente Raimundo Ribeiro e do próximo Condel para o dia 29 desse mês. As inscrições para as chapas concorrentes começam hoje e vão até o dia 26. Por enquanto ninguém se candidatou ao cargo, mas nos bastidores é dada como certa a presença do empresário Carlos Rebelo como um dos pleiteantes ao cargo.
Questionado ontem à noite sobre essa posibilidade, ele se esquivou. Aproveitou a presença ao lado do ex-vice presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, para desconversar. 'Meu candidato é o Tonhão. É um nome de consenso. Se ele sair para presidente eu entro na chapa como vice'. Embora tenha dito que dentro do clube nunca se pode dizer 'nunca', Tonhão deixou claro que candidatar-se é algo que não passa pela sua cabeça no momento e nem vinha pensando no assunto.
A reunião de ontem era para a eleição das nove cadeiras para a benemerência que estão abertas, mas a prória direção do Condel e os conselheiros presentes, em sua maioria, decidiram que não haveria clima para a eleição e que o assunto da antecipação da eleição deveria ser a prioridade. Até a posse dos três beneméritos eleitos semana retrasada - Max Fernandes, Carlos Rebelo e Orlando Ruffeil -, apesar de uma mera formalidade, quase não acontece em virtude da falta de consenso entre os presentes.
Essa falta de entendimento foi justamente um dos pontos nevrálgicos dos conselheiros que pediram a palavra - e não foram poucos. Quase todos tinham pontos divergentes para serem postos à baila. Depois de muita discussão e ameaças de alguns conselheiros de irem embora, alegando que a reunião estava indo do nada ao lugar algum, foi posta em pauta a votação. A proposta para a a eleição para o dia 29 ganhou da outra, para 20 de setembro, com mais de 90% de votos a favor - não houve contagem exata. A partir da eleição, Raimundo Ribeiro terá um prazo não estipulado para passar o cargo. Esse prazo, mesmo não sido citado oficialmente, não deve passar de 30 dias.
Faltou jogador para formar um time
No primeiro dia de trabalho dos jogadores do Remo, após a eliminação do time da Série C do Brasileiro, o técnico Carlinhos Dornelles sequer conseguiu formar um time completo de profissionais. Apenas 13 atletas compareceram ao clube, mas três deles - o goleiro Adriano, o zagueiro Diego Barros e o volante Negretti - não trocaram de roupa para treinar. Sem os goleiros Érico, Adriano e Tairone, do elenco principal, Dornelles teve de apelar ao arqueiro do sub-20, Alan. Os jogadores com contrato até novembro, casos de Ratinho, Lenílson, Ewerton e Léo Guerreiro também não deram as caras no estádio azulino.
O meia Jóbson e os volantes Marlon e o atacante Marcelo Maciel foram outros atletas que não treinaram. De acordo com o coordenador de futebol, Sérgio Papelin, foi difícil comunicar aos jogadores o reinício das atividades do plantel. 'Tentamos contatos com todos eles, mas isso só foi possível com uma parte do grupo', declarou. 'Amanhã (hoje) esses jogadores ausentes no treino de hoje (ontem) já deverão estar reintegrados ao elenco', prometeu.
Os atletas que participaram da movimentação foram: Levy, Cicinho, Rodrigo, Edilson, San, Diego Maciel, Maurício Oliveira, Edinaldo, Jorge Santos, Fabinho e Jorge Luis. O clima no clube, como já se podia esperar, era de completa melancolia. Por mais que se esforçassem para levantar o astral, com as tradicionais brincadeiras e gozações, os atletas não conseguiam esconder a decepção por estarem treinando, com o time fora de qualquer competição oficial e, ainda por cima, sem perspectiva de amistosos.
Sérgio Papelin informou que continua tentando acertar amistosos no interior do estado. 'Tenho feito contatos, mas lamentavelmente não estamos tendo a resposta que a gente gostaria de ter', disse o coordenador. Como não existe partidas programadas, o elenco vai continuar treinando apenas pela manhã, como aconteceu ontem. A prioridade no clube, conforme o funcionário remista, é liberar os jogadores vindos de fora.
Ratinho e ewerton ainda esperam uma definição da diretoria
Os meio-campistas Ratinho e Ewerton, que viajariam na sexta-feira para Maringá/PR e Porto Alegre/RS, respectivamente, permanecem em Belém. Foi o que informou, ontem pela manhã, no Baenão, Sérgio Papelin, coordenador de futebol do Remo. O funcionário do Leão informou que a rescisão de contrato dos atletas já está pronta, mas que ainda não foi assinada por falta de dinheiro. 'Assim como todos os demais jogadores, eles só pretendem viajar depois de receber o que têm direito', explicou. O coordenador não soube dizer quando o clube chegará a um acordo com os jogadores que têm contrato até novembro.
'Não dá para se ter uma previsão', avisou. 'Agora, com a saída do time da Série C, dependemos de milagre', completou. Pelos cálculos do coordenador, o Remo precisaria de, no mínimo, R$ 150 mil para sacramentar o acordo com os jogadores. 'Seria quase uma folha inteira', ressaltando que com o desligamento do técnico Luis Carlos Cruz e dos atacantes Moré e Reinaldo Aleluia a folha foi reduzida. Além de Ratinho e Ewerton, quem também aguarda por rescisão são os goleiros Adriano e Érico, o zagueiro Charles, o meia Lenílson e o atacante Léo Guerreiro.
O zagueiro Diego Barros, que tem contrato com o clube até 2010, é outro que espera por uma definição sobre o seu futuro. O 'xerife' compareceu ontem pela manhã no Baenão, mas não chegou a participar do treinamento. 'Vou esperar para ver o que vai acontecer, se eles (dirigentes) vão me emprestar ou não a outro clube', comentou. O defensor avisou que não pretende voltar aos treinos, pelo menos até que sua situação seja definida.
Diego informou que o Ceará/CE, que tinha interesse em sua contratação, além de fazer uma proposta muito baixa estava exigindo contrato de um ano. 'Isso ajudou a inviabilizar a minha ida pra lá', contou.
Manifesto pede a saída de ribeiro
Manifesto assinado pelo movimento 'Juventude Azulina' e a Associação dos Torcedores e Amigos do Remo (Atar) pede a imediata renúncia do presidente Raimundo Ribeiro - que não acontecerá - e mudanças no estatuto do clube para uma melhoria na gerência do mesmo.
O documento diz, entre outras coisas, que 'Após receber o Clube do Remo na Série B, Raimundo Ribeiro não só entregará o futebol azulino na mera expectativa de disputar, no próximo ano, a recém-criada série D (...) como terá acrescido, segundo se estima, três milhões e duzentos mil reais à já enorme dívida trabalhista, cível, previdenciária e de outras naturezas que vergasta os cofres da agremiação'.
O Condel também é alvo de críticas. '...a omissão e tibieza do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal, que, ao deixarem de exigir as mudanças que se faziam necessárias na administração, coonestaram o caos gerencial experimentado pelo Remo (...)'
Barros cada vez mais longe do Baenão
Fica cada vez mais distante a possibilidade de o zagueiro Diego Barros realizar o sonho de casar com sua noiva Elaine no gramado do Baenão, com a presença do torcedor do Leão. Pelo que se sente no clube, a permanência do atleta para a temporada 2009 é bem difícil. O defensor não esconde a sua insatisfação com a situação que enfrenta no clube. Ele reclama que não tem como pagar as dívidas mais básicas, como contas de luz, água, telefone e aluguel do apartamento onde mora.
O zagueiro deu, ontem, o ultimato à diretoria do Remo. O jogador, que tem contrato com o clube até 2010, declarou que vai esperar por uma definição de seu futuro no clube somente até a próxima semana. Se não tiver seus salários atrasados pagos ou mesmo o empréstimo a outro clube concretizado o 'xerife' abandonará o Baenão. 'Vou para São Paulo e lá, de cabeça mais tranqüila, vou ver o que fazer', adiantou. O jogador não descartou a possibilidade de recorrer à Justiça do Trabalho para ter seus direitos assegurados. 'Vou tentar uma solução amigável', disse. 'Se não houver jeito, a justiça é uma opção que tenho', completou.
O zagueiro criticou a falta de uma solução para o pagamento dos salários atrasados. 'É sempre a mesma coisa. Nunca se tem uma posição definitiva sobre essa questão salarial', acusou. O jogador também lamentou a ausência de dirigentes no Baenão. 'A gente vem aqui e não consegue conversar com os dirigentes. Eles não aparecem para conversar e dar uma posição pra gente', disparou. Diego afirmou que não pretende voltar aos treinamentos até que sua situação seja definida.
Segundo ele, a transferência para o Ceará/CE, que chegou a aparecer como uma luz no fim do túnel já está descartada. 'Já não penso mais nessa minha ida para o Ceará', declarou. O Ceará queria, segundo já havia informado o jogador, pagar metade do salário que ele recebe no Remo por um contrato de um ano.
Não são apenas os salários dos jogadores e funcionários que trabalham no Baenão que andam escassos. De acordo com um empregado azulino, que pediu para não ter seu nome revelado, até material de limpeza já está faltando no clube. Pior para os jogadores que moram na Toca do Leão. Todos esses atletas vieram das divisões de base. Os jogadores importados pelo clube moram em hotel ou em apartamento alugado pelo clube.
(Fonte: Jornal Amazônia-pa)
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