Medalha de prata nas Paraolimpíadas, atleta paraense recebe apoio dos fãs em Ananindeua
Leandro Lage
da Redação
Quando Alan Fonteles recebeu o bastão, a equipe paraolímpica brasileira de revezamento 4x100 estava em quarto lugar na prova. O velocista paraense ultrapassou os competidores, venceu o medo de correr na pista molhada e conquistou a medalha de prata nos Jogos Paraolímpicos de Pequim. Como o próprio nome diz, o revezamento é uma disputa coletiva. Mesmo assim, foram as passadas de Alan que garantiram o primeiro pódio brasileiro nessa categoria do atletismo. Ontem, depois de voltar ao Brasil, o atleta desfilou pelas ruas de Ananindeua e recebeu o apoio de fãs e admiradores.
Os corredores do revezamento 4 x 100 treinaram juntos pela primeira vez na província chinesa de Macau, dias antes das paraolimpíadas. O resultado dos treinos foi tão surpreendente que André Luiz Oliveira, Yohansson Nascimento, Claudemir Santos e Alan Fonteles decidiram participar da prova. A equipe completou o percurso em 45s25, apenas três segundos atrás do time dos Estados Unidos, que bateram o recorde mundial e levaram o ouro. 'Pelo esforço de cada um e pela formação de última hora, foi um grande começo. Ainda mais conhecendo o nível das Paraolimpíadas', comentou Alan.
Diferente de todos os atletas, Alan Fonteles não teve um pré-olímpico. Até junho, Pequim era um sonho para o velocista de 16 anos, que esperava disputar somente os Jogos Paraolímpicos de Londres, em 2012. 'Senti falta desse período. Aconteceu tudo muito rápido. Estava me projetando para Londres, porque as Olimpíadas estavam em cima. Agora, em 2012, tenho certeza que estarei mais preparado', diz. Além de conquistar o ouro no revezamento 4 x 100, Alan espera vencer o ídolo e rival Oscar Pistorius, velocista sul-africano recordista dos 100m e 200m. 'Daqui a quatro anos, não sei quem vai ganhar', desafia.
Para quem estava se adaptando às próteses Cheetah, usadas para substituir as pernas amputadas, Alan Fonteles conseguiu um resultado surpreendente. 'A prótese ainda tem de ser ajustada, mas já me sinto bastante seguro e confiante para disputar as provas', declara o velocista, que entrou para a história como o primeiro atleta paraense a conquistar uma medalha em Jogos Paraolímpicos. 'É muita felicidade sair daqui e ir para o outro lado do mundo representar o Pará', comenta Alan, que, apesar da medalha, terá apenas uma semana de folga. O atleta voltará às pistas de atletismo na próxima semana.
Velocista perdeu medalha, mas bateu recorde brasileiro nos 200 m
Além da medalha no revezamento 4x100, Alan Fonteles teve uma conquista pessoal nos Jogos Paraolímpicos de Pequim: disputou a final e bateu o recorde brasileiro nos 200m rasos, prova vencida por Oscar Pistorius. O velocista não conquistou medalha, mas teve a certeza de que está entre os melhores do mundo na prova. O atleta também é recordista brasileiro nos 100m, mas não participou da disputa em Pequim. 'Nós sabíamos que o Alan tinha grande possibilidade de ir à final. Se tivesse tido a oportunidade de correr os 100m, talves conseguisse uma boa colocação', diz a treinadora Susete Montalvão.
Claúdia Fonteles, a mãe do atleta, acompanhou os resultados do filho pela televisão. Chegou até a duvidar da medalha, quando viu a colocação da equipe no momento em que Alan segurou o bastão e correu em direção à chegada. 'Pensei que ele não fosse conseguir, até porque tinham três na frente dele', desabafa, em tom de choro. Quando questionada sobre a sensação de ter um novo herói dentro de casa, Cláudia não se conteve: 'Ele sempre foi meu herói, não é meu filho?', diz a mãe, chorando e abraçando Alan Fonteles.
No início da carreira esportiva, Alan mal tinha o dinheiro do ônibus para ir até a Escola Superior de Educação Física, onde treinava. Hoje, graças aos resultados na pista de atletismo, o jovem atleta conseguiu apoio para adquirir as próteses de carbono e já tem condições de aumentar o ritmo de treinamentos. Agora, Alan Fonteles planeja as próximas competições, fora do Estado e do País. 'Para o mês, vou disputar um campeonato em Fortaleza. Ano que vem, haverá três mundiais no exterior. Meus patrocinadores estão dando uma força enorme', comenta.
Apesar da folga dada pela treinadora, Alan não vê a hora de retormar os treinamentos e conseguir tempos melhores em outras competições. E, depois da medalha, o revezamento 4x100 entrou na agenda do velocista. 'Nosso revezamento foi aberto nas olimpíadas. Agora, vamos participar de outros mundiais para conseguir outro pódio', promete. Para Susete Montalvão, embora sejam inesquecíveis, os resultados da primeira olimpíada de Alan precisam ser superados. 'Assistindo a prova, me vieram novos sonhos, novas conquistas. Agora é trabalhar e trabalhar para conseguir', diz a treinadora.
(Fonte: Jornal Amazônia-pa)
Amigos Azulinos: Parabens Alan, são de exemplos como o seu que o brasileiro precisa para superar desafios.
Comentários