O zagueiro Da Silva, que juntamente com o lateral-direito Cicinho recorreu à Justiça do Trabalho para deixar o Remo, rompeu, ontem, o silêncio e explicou a sua saída do Baenão. O jogador, revelado nas divisões de base do clube, contou que vinha passando por dificuldades financeiras em função do atraso de quase quatro meses no pagamento dos salários no clube. O defensor afirmou que não tem clube em vista e que viajará para sua cidade de origem, Itinga, na fronteira do Pará com o Maranhão, para descansar ao lado de sua família.
'A decisão de sair (do Remo) foi motivada pelas dificuldades que eu vinha enfrentando', afirmou Da Silva. 'Não estava recebendo meus salários e ainda por cima estava sendo obrigado a gastar as poucas economias que tenho', completou. O zagueiro afirmou que chegou ao limite. 'Não dava mais para suportar. Chega uma hora em que ninguém aguenta só gastar sem receber nada', disparou o treinador. Na avaliação do zagueiro, a debandada do Baenão ocorreu na hora certa. 'Acho que estou saindo no momento exato', avaliou.
Da Silva assegurou que não tinha mais como continuar no Baenão com o clube em dificuldades financeiras. 'Não dá nem para trabalhar direito. O jogador fica sem cabeça, sabendo que tem contas a pagar e que no final do mês não terá o seu salário no bolso', desabafou. O jogador também mostrou-se insatisfeito com o fato de a diretoria ter privilegiado alguns jogadores com o pagamento de vales maiores. 'Alguns recebem mais do que os outros, quando todo mundo é igual e merecia, no meu entendimento, o mesmo tratamento', disparou.
Apesar de mostrar-se aborrecido, Da Silva afirmou que está deixando o clube sem mágoas. 'Não tenho nada contra quem quer que seja', garantiu. O jogador chegou, inclusive, a falar em retornar ao clube em outra oportunidade. 'Quem sabe se no futuro não estarei aqui novamente. No futebol é comum sair e voltar', comentou. Segundo ele, por diversas vezes procurou a direção do clube para negociar. 'Só que ninguém aparecia e quando aparecia não dava satisfação', acusou. 'Por isso tomei a decisão de sair sem comunicar nada a ninguém', concluiu.
Advogados esperam notificação para tomar providências
O departamento jurídico do Remo, por intermédio do advogado André Meira, aguarda a notificação da Justiça do Trabalho comunicando o pedido de desligamento dos jogadores Da Silva e Cicinho do clube. Os atletas, que estão há quatro meses sem receber seus salários, decidiram recorrer aos tribunais para deixar o Baenão. Os atletas são defendidos pela advogada Hélida Melú, que alegou falta de tempo, ontem, para conversar com a imprensa. Mas no processo, a causídica alega que, além dos salários, os jogadores também não vinham tendo o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) depositados pelo clube.
Os jogadores não treinam mais no Baenão desde a última quarta-feira, quando estiveram no local apenas para apanhar seus pertences, inclusive o material de trabalho. Da Silva ratificou que não há nada depositado em sua conta de FGTS. 'Há um mês tirei o extrato do fundo e só aparecia zero, zero, zero e mais nada', afirmou o atleta. O jogador já firmou acordo com um empresário, que o deverá para outro clube. O zagueiro, no entanto, preferiu não revelar o nome do agente, afirmando, porém, que não se trata de Alexandre Oliveira, como chegou a ser especulado.
O advogado André Meira acredita que ainda possa reverter a saída dos jogadores do clube. Ele pretende alegar na justiça que Da Silva e Cicinho cometeram abandono de emprego. O argumento é o mesmo que foi utilizado pelo representante remista no caso Gileno, que além de não receber nada ainda teve de indenizar o Remo com R$ 50 mil. A defesa do clube, que já vem sendo preparada por Meira, mas só será apresentada após o departamento jurídico azulino ter sido notificado pela Justiça do Trabalho.
(Fonte: Jornal Amazônia-pa)
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