Mais uma vez a diretoria do Remo volta a conviver com o fantasma da perda de um dos patrimônios do clube. Agora é o Carrossel, área anexa ao estádio Baenão, que corre perigo de ser leiloado para pagamento de dívidas trabalhistas com ex-jogadores do clube. O advogado André Meira revelou, ontem, que o imóvel deverá ir a pregão nas próximas quarta e quinta-feiras para pagamento dos atletas Márcio Belém e Jaílson, que reivindicam R$ 300 e R$ 100 mil, respectivamente. Os valores, conforme a ação movida pelos atletas na Justiça do Trabalho, se referem a salários e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que eles deixaram de receber do clube.
Segundo o advogado azulino, o Carrossel está avaliado em cerca de R$ 2.3 milhões. O imóvel, no entanto, de acordo com André Meira, vale bem mais. 'Essa avaliação é feita em cima de uma área de apenas dois mil metros quadrados, quando na verdade o imóvel tem um espaço superior, algo em torno de quatro mil metros quadrados', observou. O advogado acredita que o imóvel estaria valendo hoje no mercado aproximadamente R$ 4 milhões. 'Não tenho cálculos exatos, mas acho que deve ficar mais ou menos neste valor', comentou.
Realizado o leilão, o Remo, segundo Meira, tem até cinco dias para recorrer. 'Vamos fazer de tudo para evitar que o Remo perca esse patrimônio', prometeu o advogado. A situação é igual a que ocorreu com a sede campestre do clube, em Benfica. O imóvel foi leiloado em julho para pagamento de uma dívida de R$ 900 mil com o atacante Júnior Amorim, que atuou pelo clube em 2004. A sede foi arrematada pela Construtora Leal Júnior mediante o pagamento de R$ 3 milhões.
O departamento jurídico azulino, por intermédio de Meira, entrou com recurso na Justiça do Trabalho, alegando que a documentação do processo não estava completa, faltando registro no cartório de imóvel de Santa Izabel. O recurso remista ainda aguarda pelo julgamento. Recentemente o mesmo Carrossel esteve na mira do leilão para pagamento de dívida com o auxiliar-técnico Mário Henrique, o Mariozinho. Mas o clube acabou entrando em acordo com o seu ex-funcionário, que concordou em retirar a ação que movia na Justiça do Trabalho. Na época, o Remo pagou R$ 15 mil de uma só vez ao reclamante.
Associação de torcedores promete pagar salários de novatos
O presidente da Associação dos Torcedores e Amigos do Remo (Atar), Wilton Moreira, assegurou, ontem pela manhã, no Baenão, que os jogadores Levy, Edinaldo e Jonathan terão seus salários pagos pela entidade. Da mesma maneira que o restante do elenco azulino, os atletas não recebem há quatro meses. A medida, segundo o dirigente, foi tomada para evitar que os jogadores recorram à justiça, como fizeram Cicinho e Da Silva, para se desligar do clube.
A proposta para que a Atar assumisse a dívida com os atletas foi feita pelo diretor juríidico da entidade, Rubens Leão. O pedido foi acatado pelos demais dirigentes da associação, inclusive Wilton Morreira. 'A Atar é uma enntidade aberta, que aceita a opinião de todos os seus dirigentes. Aqui não há este autoritarismo besta de apenas um mandar', comentou Moreira, referindo-se indiretamente ao presidente Raimundo Ribeiro, seu desafeto declarado. A notícia do pagamento deixou os jogadores animados para continuarem treinando no elenco sub-20 do clube.
'Receber essa garantia foi uma coisa bastante positiva', afirmou Levy, que tencionava recorrer à justiça para se desligar do clube. Moreira não fixou uma data certa para o pagamento dos jogadores. Moreira relacionou uma série de jogadores que já deixaram o clube por causa de atraso de pagamento. Entre os atletas estão Andrezinho, Preto Barcarena, Adriano Miranda e Wellington Saci.
Os últimos a deixarem o clube foram o lateral-direito Cicinho, que ainda teve direito a R$ 10 mil, e o zagueiro de área Da Silva, que tem sua audiência na Justiça do Trabalho marcada para a próxima segunda-feira. O jogador está reivindicando algo em torno de R$ 700 mil de salários atrasados, direito de arena e cotas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que, segundo o atleta, não teriam sido depositadas pelo clube. O processo corre na 9º Vara da Justiça do Trabalho.
Mais uma vez, o advogado André Meira representará o Remo. Na última quarta-feira, Meira conseguiu evitar que o Remo tivesse de pagar uma 'bolada' a Cicinho, que reivindicava R$ 300 mil do clube.
(Fonte: Jornal Amazônia-pa)
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