Sem receber há três meses, com as contas atrasadas e sem intenção de disputar a primeira fase do Campeonato Paraense por outro clube, o zagueiro Diego Barros vive um dilema em Belém. Ele pretende passar o final de ano com a família em São Paulo, mas não tem recursos sequer para a viagem. Os último salário, recebido quatro meses atrás, foi praticamente todo para pagar as contas do dia-a-dia. O jogador pretende retornar para o Clube do Remo ano que vem, mas deixou claro que isso não é uma certeza. Diego afirmou que tem tido muita paciência com a situação, mas que tudo tem limites. O zagueiro não descartou, inclusive, procurar no futuro a Justiça do Trabalho para poder receber o que tem direito, mesmo dizendo que essa seria apenas a última opção.
'Peço de R$ 10 mil a R$ 12 mil para pagar minhas dívidas. Quero ir para casa e depois voltar a Belém sem dívidas e manter algumas coisas como apartamento e carro. Até agora ninguém me procurou para tentar ajudar. Vou esperar até onde minha paciência agüentar', disse. 'Por enquanto falta coragem de colocar na Justiça um clube que gosto muito. Mas dependendo da minha paciência eu posso ter que tomar essa atitude', completou Diego.
O zagueiro teve propostas do Pinheirense e do Castanhal para disputar a primeira fase do Parazão. Da primeira não se interessou muito. Na segunda o desinteresse teve caminho inverso. Ele chegou a ser procurado por pessoas ligadas ao Japiim, mas o negócio não foi para frente por causa da preferência do técnico Artur Oliveira por dois outros jogadores para a posição. Diego garante que encarou a situação com naturalidade. 'O pessoal de lá tinha me procurado para conversar, mas o negócio nem começou a ser discutido. Cada treinador tem suas preferências, o que é normal. O Artur preferiu o Charles e o Felipe Bragança, os dois grandes jogadores.'
Diego Barros chegou a ser procurado por dirigentes do Mirassol-SP, mas mesmo a boa proposta que teve não chegou a seduzi-lo, apesar de toda a pressão do empresário para que deixasse o Baenão. O zagueiro se diz muito chateado e até estressado com tudo o que tem passado, por isso prefere sair de férias e dar um tempo no futebol para analisar melhor as propostas e a posibilidade de voltar para o Leão Azul. 'Gostaria é de ir para casa. Já são mais de dez meses sem ver direito minha família. A situação aqui, com tudo que vem acontecendo, é muito estressante. As contas têm se acumulando e eu estou me arrastando. É uma situação muito ruim e complicada.'
Carrossel vai a leilão mais uma vez
O Carrossel, terreno anexo ao Baenão e que dá de frente para a Avenida Almirante Barroso, vai mais uma vez a leilão na Justiça do Trabalho. O processo movido pelo goleiro Régis na 1ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho já está em fase de execução e só pode ser parado em caso de acordo, posibilidade que tem tanta chance de acontecer quanto a do Remo voltar via tapetão para a Série C. 'Existe a possibilidade de acordo, mas é pequena. Para um acordo é preciso ter dinheiro e é público e notório que o clube não dispõe de recursos financeiros', explicou o advogado André Meira, responsável em defender o clube na Justiça do Trabalho e, por conseguinte, o homem mais trabalhador hoje em dia no Leão.
Meira explicou que o clube já entrou com recurso no TRT para tentar impedir o leilão, mas que isso não é uma garantia que a venda seja concretizada. Caso isso venha a acontecer a saída é recorrer para instâncias mais altas. 'Vamos tentar impedir o leilão usando os argumentos que temos. Já entramos com um Agravo de Petição para tentar impedir o leilão. Vamos tentar todos os recursos possíveis', disse. 'São dois processos distintos e em Varas diferentes, mas são semelhantes. Como já estão em execução não há mais o que discutir', completou Meira, referindo-se ao leilão de amanhã, também do Carrossel, para o pagamento de R$ 53 mil ao volante Fabiano Silva.
O advogado explicou que caso a venda seja feita os detalhes do leilão serão apreciados para um futuro recurso. 'Isso depende dos fatos que acontecerem durante o leilão. Vamos observar o processo para ver que atitude tomar casa haja a venda.'
Sobre a sede campestre, arrematada em leilão no começo do mês passado, o caso continua empacado. A venda foi feita, mas o Remo recorreu e espera ainda para 2008 o julgamento do caso para tentar reaver o patrimônio. 'Ainda esse ano haverá o julgamento em segunda instância do caso da sede campestre. Vamos recorrer até onde for possível, até ao STF (Supremo Tribunal Federal) se for preciso', finalizou Meira.
Adriano joga primeira fase do paraense pelo General da vila
O goleiro Adriano acertou com a diretoria do Pinheirense e ontem mesmo começou a treinar no Abelardo Conduru. O jogador ficará no General da Vila durante a primeira fase do Campeonato Paraense de 2009. O jogador tem contrato com o Clube do Remo até o final desse mês e, a partir do dia 31, estará livre para assinar com qualquer outra agremiação. Ele garante que a preferência é voltar para o Baenão, mas confessa que recebeu quatro propostas, duas delas de clubes paraenses.
'Recebi duas propostas de fora e duas daqui, de clubes que disputarão a fase principal do Campeonato Paraense, mas a prioridade continua sendo o Remo', confirmou Adriano. Além do time azulino, restam Paysandu, Águia e Ananindeua já classificados para fase principal da competição.
O jogador não sabe de seu futuro em Belém. Por mais que demonstre desejo de renovar com o clube que defende desde 2006, a situação financeira do Remo lhe deixa inseguro. 'Preciso pensar no meu futuro. Não sei se vale a pena permanecer, mas é um clube que aprendi a gostar. Já roí muito osso e tenho certeza que um dia vou voltar a comer filé. Clubes grandes passam por dificuldades, mas sempre dão a volta por cima.'
O camisa um chegou a ser procurado pelos empresários Pedro Minowa e Carlos Rebelo, o primeiro candidato confirmado à eleição e o segundo candidato virtual. Ambos demonstraram interesse na permanência dele para a próxima temporada. Adriano disse que só tratará de renovação após a eleição no clube.
Ajuda - O assunto do dia no Baenão também teve como foco central o Baenão. O boato dava conta do interesse de um empresário do ramo madeireiro disposto a adquirir o terreno em troca do pagamento de toda a dívida trabalhista do clube, esta alguns dígitos a mais do que o valor do Carrossel. O nome e a procedência do empresário salvador não foi divulgado, assim como acontece em todos os boatos que garantem que um empresário vai chegar a qualquer momento para ajudar o Clube do Remo.
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